Pinturas catalogadas
Os caminhos para o conhecimento por meio do sensorial se cruzam com os da intuição. O caminho intuitivo é o da descoberta, das conexões inesperadas, das junções, das superposições, da navegação não linear, da capacidade de se maravilhar, de se aprofundar, do conhecimento psíquico, de meios de comunicação menos conscientes. É um caminho agradável, imprevisível, atraente, propício a descobertas - muitas vezes confusas, irracionais, ilógicas - que nos realiza profundamente, nos faz avançar, nos dá confiança.
Manuel Moran - orienta Nathalie B. Barends em seu mestrado na Universidade de São Paulo.
Macio e firme Dando passos seguros na areia úmida, indo em direção ao inquestionável. A unção vem, depois a poesia e, com ela, a disciplina em formas e cores. Como um bom oleiro, ela cria, transforma e faz surgir a imagem. Não há medo de admitir a espiritualidade em seu trabalho. O ser que não é apenas o pensamento, o sentimento de seus desejos limitados. Houve uma rendição, uma submissão ao Supremo. Uma abertura de sua porta interior. Um convite para uma jornada. E, em obediência, ela continua ao longo de sua ponte, suas escadas, seus caminhos para algo maior. Suas fortalezas estão sendo fundadas em pedras preciosas, suas colunas estão sendo fixadas com laços coloridos. Suave e firme. Uma combinação difícil que é fundamental para esse movimento. Falar de Nathalie Petsire é falar de uma buscadora que ultrapassa os limites que podemos ver e alcança o que não podemos ver. Afinal de contas: O justo viverá pela fé.
Titiza Nogueira - Presidente do Instituto de Arte e Cultura para a Questão Internacional (ACQUI) e representante do Brasil no Fórum Internacional de Economia e Cultura.
Petsiré, Petsiré, Se eu não fosse um simples ser humano, talvez chegasse calmamente ao centro dessa luz nesses voos, a partir dos líquidos que diluem suas plantas, vegetais e raízes na alquimia natural, até muito além da próxima miragem. Petsiré, Petsiré, Não foi por acaso que Nathalie B. Barends recebeu esse nome de um cacique xavante, em um encontro xamânico paralelo à Eco 92, que aconteceu em Brasília e no Rio de Janeiro. Ela foi escolhida, por sua própria arte e por sua natureza intuitiva, como uma porta aberta para a redescoberta das sensações, para a valorização da intuição e para a desmidiocratização da criatividade, livre dos extremos mercadológicos. Sua arte contém elementos que encantam e chamam à reflexão. Medita conosco nossa riqueza e nossas limitações. Critica com incrível doçura, gentil em suas mágicas reveladoras, farta em vontades de recuperar o mundo para dias melhores de justiça, equilíbrio e sorte. Petsiré está apenas começando sua luminosa viagem pela Terra, despertando o homem para os valores marinhos, para os gritos de nossas florestas violadas e para os murmúrios de nossas crianças sacrificadas. Petsiré, Petsiré, Se eu não fosse um simples ser humano, talvez pudesse voar como seus peixes com suas asas, que direcionam a vida para muito além da miragem, além do horizonte azul. Mas para nós, resta apenas o aprendizado de suas obras, tintas alucinadas em busca de atenções, carícias na tela, felicidade no amor.
Paulo Klein - Crítico de arte e poeta